Elza Pais: “Os sacrifícios das mulheres não foram em vão”


As conquistas das mulheres são também reflexo da revolução de há 44 anos. Foi este o tema central da intervenção da deputada socialista Elza Pais na sessão solene do 25 de Abril, no Parlamento.

“Celebrar Abril é celebrar a igualdade, esse nobre princípio constitucional para que ninguém fique para trás e acabar com sofrimento humano causado por discriminações intoleráveis”, começou por afirmar, relembrando que “as oportunidades no feminino são bem mais escassas que no masculino”.

“A política não serve para justificar inevitabilidades, serve para abrir caminhos”, advertiu, congratulando-se pela lei da paridade aprovada na generalidade recentemente na Assembleia da República. “Foi agora que aprovámos nesta casa leis que vão permitir às mulheres chegar aos lugares de poder onde se decide”, referiu Elza Pais, para depois esclarecer: “As mulheres não precisam de favores, precisam sim que os seus direitos sejam cumpridos”. A deputada socialista acredita que agora, “portugueses e portuguesas encontram no seu país vontade de eliminar desigualdades”.

A socialista não esqueceu, porém, as mulheres que se ergueram quando não lhes era permitido. “Celebrar Abril é recordar as mulheres que viveram pela liberdade, tantas vezes esquecidas pela História, mas que estiverem sempre lá em momentos únicos e decisivos” revelou. “Discursaram, aderiram a causas, correram riscos, foram condenadas, sofreram incompreensões, injurias e agressões, mas lutaram sempre, sempre, pela emancipação, pela educação e pela liberdade”, prosseguiu, lembrando os legados de Carolina Beatriz Ângelo, a primeira mulher portuguesa, pioneira na Europa, a conquistar o direito ao voto e Maria Barroso, que através da poesia dita, exercia a “denuncia e a participação”.
“Os sacríficos destas mulheres não, não, foram em vão”, garantiu.

Elza Pais deixou ainda uma palavra os pais da democracia e agradeceu ainda aos capitães de Abril “por terem feito o sonho acontecer”. “É em nome do meu partido das mulheres e homens do meu grupo parlamentar, que urge hoje e sempre dizer-vos obrigada”, concluiu.